O corrimento vaginal é um tema que ainda gera muitas dúvidas, inseguranças e até receio de buscar informação. No entanto, entender o que é normal e o que pode indicar um problema de saúde é fundamental para o cuidado íntimo, prevenção de infecções e manutenção do bem-estar feminino. Ao longo da vida, é comum que a mulher observe alterações na secreção vaginal, seja em quantidade, textura, cheiro ou cor. Essas mudanças podem estar relacionadas a fatores fisiológicos, hormonais ou, em alguns casos, a infecções que exigem atenção médica.
Neste conteúdo desenvolvido pela Ezmedi, você vai compreender os 7 principais tipos de corrimento vaginal, identificando suas cores, possíveis causas e, principalmente, o que fazer em cada situação. Informação clara, técnica e acessível é uma das ferramentas mais importantes para a saúde feminina, e este artigo foi elaborado exatamente com esse propósito.
Corrimento vaginal: quando é normal e quando merece atenção
Antes de analisar cada tipo de corrimento, é essencial entender que nem toda secreção vaginal representa um problema. O corrimento fisiológico faz parte do funcionamento natural do organismo feminino, ajudando na lubrificação, proteção da mucosa vaginal e equilíbrio da flora local. Ele costuma ser transparente ou levemente esbranquiçado, sem odor forte e sem causar coceira ou desconforto.
Alterações hormonais durante o ciclo menstrual, ovulação, gravidez ou uso de anticoncepcionais podem modificar temporariamente o aspecto do corrimento, sem que isso signifique doença. No entanto, quando surgem mudanças significativas na cor, cheiro ou consistência, associadas a sintomas como ardor, dor, coceira ou sangramento, o corpo pode estar sinalizando a necessidade de investigação.
Reconhecer esses sinais precocemente contribui para um diagnóstico mais rápido e tratamentos mais simples e eficazes.
Branco: quando é normal e quando pode ser candidíase
O corrimento branco é um dos mais comuns e também um dos que mais geram confusão. Em sua forma fisiológica, ele costuma ser esbranquiçado, homogêneo, sem cheiro forte e não provoca incômodos. Esse tipo de secreção é esperado principalmente em determinadas fases do ciclo menstrual e não requer tratamento.
Por outro lado, quando o corrimento branco apresenta aspecto mais espesso, semelhante a leite coalhado, acompanhado de coceira intensa, ardor ao urinar ou durante a relação sexual, pode indicar candidíase vaginal. Essa infecção é causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida, que naturalmente habita a flora vaginal, mas se prolifera em situações de desequilíbrio.
O uso inadequado de antibióticos, estresse, imunidade baixa e alterações hormonais estão entre os fatores mais associados à candidíase. Nesses casos, o ideal é buscar orientação médica para confirmação do diagnóstico e indicação do tratamento antifúngico adequado.
Transparente ou claro: sinal de saúde íntima
O corrimento transparente, incolor ou levemente esbranquiçado, com textura elástica semelhante à clara de ovo, é considerado totalmente normal, especialmente no período fértil. Ele está relacionado à ovulação e indica que o organismo está funcionando de forma adequada.
Esse tipo de secreção não possui odor desagradável, não causa desconforto e não necessita de qualquer intervenção médica. Na verdade, sua presença é um importante sinal de equilíbrio hormonal e saúde vaginal.
Apenas quando esse corrimento passa a vir acompanhado de cheiro forte, alteração de cor ou sintomas associados é que se torna necessário investigar possíveis causas patológicas.
Amarelado: atenção aos sinais de infecção
O corrimento amarelado pode ter diferentes significados, dependendo de sua intensidade, consistência e sintomas associados. Em pequenas quantidades, sem odor forte ou desconforto, pode não representar um problema grave. No entanto, quando apresenta coloração amarela intensa, aspecto espesso ou purulento, odor desagradável e causa ardor ou dor pélvica, merece atenção.
Esse tipo de corrimento pode estar relacionado a infecções bacterianas ou sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia. Ignorar esses sinais pode levar a complicações importantes, como infecções ascendentes e impacto na fertilidade.
Diante de corrimento amarelado persistente ou sintomático, a recomendação é procurar atendimento médico para avaliação clínica e exames específicos.
Esverdeado: possível indicação de tricomoníase
O corrimento esverdeado é considerado um sinal de alerta e raramente está associado a condições fisiológicas. Geralmente, apresenta odor forte, aspecto espumoso e vem acompanhado de sintomas como coceira intensa, dor durante a relação sexual e ardor ao urinar.
Uma das causas mais comuns desse tipo de secreção é a tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. O tratamento exige uso de medicação específica e, em muitos casos, tratamento simultâneo do(a) parceiro(a) para evitar reinfecção.
Quanto mais precoce for o diagnóstico, menores são os riscos de complicações, reforçando a importância da avaliação médica ao notar alterações dessa natureza.
Acinzentado: relação com vaginose bacteriana
O corrimento acinzentado costuma estar associado à vaginose bacteriana, uma condição caracterizada pelo desequilíbrio da flora vaginal. Ele geralmente apresenta odor forte, descrito popularmente como “cheiro de peixe”, especialmente após relações sexuais.
Essa condição não é considerada uma IST, mas está relacionada a alterações no ambiente vaginal, como uso excessivo de duchas íntimas, múltiplos parceiros sexuais ou mudanças hormonais. Embora possa ser assintomática em alguns casos, a vaginose bacteriana exige tratamento específico para evitar recorrências e complicações.
Manter hábitos de higiene adequados e evitar automedicação são medidas fundamentais para a prevenção.
Marrom: o que pode indicar sangue antigo
O corrimento marrom geralmente está relacionado à presença de sangue antigo, que escurece ao entrar em contato com o ar. Pode ocorrer no início ou final da menstruação e, nesses casos, não costuma ser motivo de preocupação.
Entretanto, quando o corrimento marrom surge fora do período menstrual, de forma recorrente ou acompanhado de dor, pode indicar alterações hormonais, efeitos colaterais de anticoncepcionais ou até condições ginecológicas que precisam ser investigadas.
Observar a frequência e o contexto em que esse tipo de secreção aparece é essencial para determinar se há necessidade de avaliação médica.
Atenção ao momento do ciclo
O corrimento rosado costuma estar associado a pequenas quantidades de sangue misturadas à secreção vaginal. Ele pode ocorrer durante a ovulação, após relações sexuais ou no início da gravidez, em alguns casos.
Apesar de nem sempre indicar algo grave, o corrimento rosado persistente, especialmente se acompanhado de dor ou outros sintomas, deve ser avaliado por um profissional de saúde para descartar infecções, alterações hormonais ou lesões no colo do útero.
O que fazer ao identificar alterações no corrimento vaginal
Diante de qualquer alteração persistente no corrimento, a principal recomendação é evitar o autodiagnóstico e a automedicação. Cada tipo de secreção possui causas específicas, e o tratamento inadequado pode mascarar sintomas ou agravar o problema.
Buscar orientação médica permite identificar corretamente a causa, realizar exames quando necessário e iniciar o tratamento adequado. A informação é uma aliada poderosa, mas não substitui o acompanhamento profissional.
A Ezmedi reforça a importância do cuidado preventivo e do acesso à informação de qualidade para promover saúde íntima, segurança e bem-estar.
FAQ – Dúvidas frequentes sobre corrimento vaginal
1. Todo corrimento vaginal é sinal de infecção?
Não. O corrimento fisiológico faz parte do funcionamento normal do corpo feminino. Ele protege a vagina e varia ao longo do ciclo menstrual. Apenas alterações significativas de cor, odor, textura ou sintomas associados indicam necessidade de avaliação.
2. Corrimento com cheiro forte sempre indica doença?
O odor forte, especialmente quando associado a mudanças na cor ou desconforto, costuma indicar desequilíbrio da flora vaginal ou infecção. Nesses casos, é importante buscar orientação médica para diagnóstico correto.
3. É normal ter corrimento todos os dias?
Sim. Muitas mulheres apresentam corrimento diariamente, principalmente em fases específicas do ciclo. O que importa é observar se ele mantém características normais, como cor clara, ausência de odor forte e de sintomas.
4. Anticoncepcional pode alterar o corrimento?
Sim. O uso de anticoncepcionais pode modificar a quantidade e consistência do corrimento devido às alterações hormonais. Essas mudanças geralmente são benignas, mas devem ser acompanhadas se houver desconforto.
5. Quando devo procurar um profissional de saúde?
Sempre que o corrimento apresentar coloração intensa, odor desagradável, coceira, ardor, dor pélvica ou persistir por vários dias. O acompanhamento profissional é essencial para garantir um tratamento seguro e eficaz.