O corrimento esverdeado é um dos sinais ginecológicos que mais despertam preocupação entre as mulheres — e não sem motivo. Diferente de secreções vaginais fisiológicas, que fazem parte do funcionamento normal do organismo, a presença de secreção com tonalidade verde ou verde-amarelada costuma indicar algum tipo de alteração na saúde íntima, muitas vezes associada a infecções que exigem diagnóstico e tratamento adequados.
Identificar corretamente o que o corrimento esverdeado pode representar é fundamental para evitar complicações, aliviar sintomas desconfortáveis e preservar a saúde ginecológica a curto e longo prazo. Quanto mais cedo a causa é reconhecida, mais simples e eficaz tende a ser o tratamento.
Neste conteúdo da Ezmedi, você vai entender o que é o corrimento esverdeado, quais são as principais causas, como é feito o diagnóstico, quais são as formas de tratamento e quando é indispensável procurar ajuda médica.
O que caracteriza o corrimento esverdeado
O corrimento esverdeado é uma secreção vaginal anormal, cuja coloração pode variar entre verde-claro, verde-amarelado ou verde intenso. Ele geralmente apresenta odor forte e desagradável, consistência mais espessa ou espumosa e, na maioria dos casos, vem acompanhado de outros sintomas que indicam inflamação ou infecção.
Entre os sinais associados mais comuns estão ardor ao urinar, coceira vaginal, vermelhidão na região íntima, dor durante a relação sexual e sensação de desconforto constante. Esses sintomas não devem ser ignorados, pois sinalizam que o ambiente vaginal está em desequilíbrio.
Diferente do corrimento transparente ou branco fisiológico, o corrimento esverdeado não é considerado normal em nenhuma fase do ciclo menstrual, o que torna a investigação clínica essencial sempre que ele é identificado.
Principais causas do corrimento esverdeado
O aparecimento do corrimento esverdeado está, na maioria das vezes, relacionado a infecções ginecológicas, especialmente aquelas causadas por microrganismos que alteram a flora vaginal. Entender as causas ajuda não apenas no tratamento, mas também na prevenção de novos episódios.
A causa mais comum é a tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível provocada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nesses casos, o corrimento costuma ser esverdeado, espumoso, com odor forte e acompanhado de coceira intensa e dor durante a relação sexual. A tricomoníase exige tratamento específico e abordagem do parceiro sexual, mesmo que ele não apresente sintomas.
Outra causa possível é a associação de infecções bacterianas que levam a um desequilíbrio importante da flora vaginal. Embora a vaginose bacteriana costume gerar corrimento acinzentado, em alguns casos a secreção pode adquirir tonalidade esverdeada, especialmente quando há inflamação mais intensa.
Infecções mistas, envolvendo bactérias e outros microrganismos, também podem resultar nesse tipo de corrimento. Além disso, a presença de corpo estranho vaginal, como absorventes internos esquecidos, pode gerar infecção local e secreção esverdeada com odor muito forte.
Corrimento esverdeado é sempre uma IST?
Uma dúvida muito comum é se o corrimento esverdeado indica obrigatoriamente uma infecção sexualmente transmissível. A resposta é: nem sempre, mas em grande parte dos casos, sim, especialmente quando a causa é a tricomoníase.
Por isso, o diagnóstico correto é indispensável. Apenas por meio da avaliação clínica e, quando necessário, de exames laboratoriais, é possível identificar a origem do problema. Presumir a causa e iniciar tratamentos por conta própria pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico correto e favorecer recorrências.
Mesmo quando não se trata de uma IST, o corrimento esverdeado indica que algo não está em equilíbrio no organismo e que a saúde íntima precisa de atenção.
Como é feito o diagnóstico do corrimento esverdeado
O diagnóstico do corrimento esverdeado começa com uma avaliação clínica detalhada, na qual o profissional de saúde analisa os sintomas, o histórico da paciente e as características da secreção vaginal. Em muitos casos, essa avaliação já fornece indícios importantes sobre a possível causa.
Exames ginecológicos, como a coleta de secreção vaginal, podem ser solicitados para identificar microrganismos específicos. Esses exames permitem confirmar infecções, diferenciar causas bacterianas, parasitárias ou fúngicas e definir o tratamento mais adequado.
O diagnóstico preciso evita tratamentos desnecessários e garante maior eficácia terapêutica, além de reduzir o risco de complicações e recorrências.
Como tratar o corrimento esverdeado
O tratamento do corrimento esverdeado depende diretamente da sua causa. Por isso, não existe um único tratamento padrão que funcione para todos os casos. Quando a origem é a tricomoníase, o tratamento envolve o uso de medicamentos específicos, geralmente por via oral, com orientação médica.
Em casos de infecções bacterianas, o tratamento pode incluir antibióticos adequados ao tipo de bactéria identificada. Quando há infecção mista, a abordagem pode ser combinada, sempre respeitando a indicação profissional.
É fundamental seguir corretamente o tratamento prescrito, respeitando doses e tempo de uso, mesmo que os sintomas desapareçam antes do término. A interrupção precoce do tratamento pode levar à persistência da infecção e ao retorno dos sintomas.
Além disso, durante o tratamento, costuma ser recomendado evitar relações sexuais ou utilizar preservativo, especialmente quando há suspeita ou confirmação de IST, para evitar reinfecção e transmissão.
O papel da prevenção na saúde íntima
A prevenção do corrimento esverdeado passa por cuidados simples, mas extremamente importantes para a saúde íntima. Manter uma higiene adequada, evitando o uso excessivo de duchas vaginais e produtos perfumados, ajuda a preservar o equilíbrio da flora vaginal.
O uso de preservativo nas relações sexuais é uma das formas mais eficazes de prevenir infecções sexualmente transmissíveis, incluindo aquelas que causam corrimento esverdeado. A prevenção é sempre o melhor caminho para reduzir riscos e promover bem-estar.
Manter acompanhamento ginecológico regular também é essencial, mesmo na ausência de sintomas, pois permite identificar alterações precocemente e agir antes que se tornem problemas maiores.
Quando procurar ajuda médica
Sempre que o corrimento esverdeado surgir, especialmente se vier acompanhado de odor forte, coceira, ardor ou dor, é indicado procurar um profissional de saúde. Quanto mais cedo a avaliação for realizada, mais simples tende a ser o tratamento e menores são as chances de complicações.
Ignorar sintomas ou recorrer à automedicação pode agravar o quadro, prolongar o desconforto e dificultar a resolução do problema. A saúde íntima merece atenção, cuidado e informação de qualidade.
A Ezmedi reforça a importância do acesso à orientação adequada, promovendo informação confiável e cuidados responsáveis com a saúde feminina.
FAQ – Dúvidas frequentes sobre corrimento esverdeado
1. Corrimento esverdeado pode desaparecer sozinho?
Em alguns casos leves, os sintomas podem diminuir temporariamente, mas isso não significa que a causa foi resolvida. A infecção pode persistir e voltar com mais intensidade, por isso a avaliação médica é essencial.
2. Corrimento esverdeado sempre tem cheiro forte?
Na maioria das vezes, sim. O odor desagradável é um sinal comum, especialmente quando há infecção. No entanto, a intensidade do cheiro pode variar de acordo com a causa e o organismo da paciente.
3. Homens também precisam de tratamento quando há tricomoníase?
Sim. Mesmo que não apresentem sintomas, os parceiros sexuais devem ser tratados para evitar reinfecção e transmissão contínua da infecção.
4. Posso usar pomadas sem prescrição médica?
Não é recomendado. O uso de medicamentos sem diagnóstico pode mascarar sintomas, piorar o quadro ou dificultar a identificação correta da causa.
5. Corrimento esverdeado pode afetar a fertilidade?
Quando não tratado adequadamente, algumas infecções associadas ao corrimento esverdeado podem causar complicações que afetam a saúde reprodutiva. O tratamento precoce reduz significativamente esse risco.