Enjoo, náusea e vômitos estão entre os sintomas mais comuns no início da gravidez. Algumas gestantes sentem apenas um leve desconforto ao acordar, enquanto outras têm náuseas durante diferentes momentos do dia.
Quando mudar a alimentação e alguns hábitos não é suficiente, surge uma dúvida muito comum: qual remédio para enjoo uma grávida pode tomar?
Existem medicamentos utilizados para controlar náuseas e vômitos durante a gestação, como piridoxina (vitamina B6), combinações com doxilamina, metoclopramida, alguns anti-histamínicos e, em situações específicas, ondansetrona.
Isso não significa, porém, que qualquer gestante possa tomar esses medicamentos por conta própria. A escolha depende da intensidade dos sintomas, idade gestacional, histórico de saúde, outros medicamentos utilizados e avaliação dos possíveis riscos e benefícios.
O próprio Ministério da Saúde orienta que medicamentos durante a gravidez não sejam utilizados sem prescrição, já que existem substâncias contraindicadas ou que precisam de avaliação individual durante esse período.
A seguir, entenda quais opções são utilizadas pelos profissionais de saúde e quando o enjoo merece investigação.
É normal sentir muito enjoo na gravidez?
Sim. Náuseas e vômitos são extremamente comuns durante a gestação.
Segundo a MotherToBaby, serviço especializado em informações baseadas em evidências sobre exposições durante a gravidez, cerca de 8 em cada 10 gestantes podem apresentar náuseas e vômitos.
Os sintomas geralmente começam entre a 4ª e a 9ª semana, ficam mais intensos aproximadamente entre a 7ª e a 12ª semana e, para muitas mulheres, melhoram entre a 12ª e a 16ª semana.
Apesar do nome popular “enjoo matinal”, a náusea não acontece somente pela manhã. Ela pode aparecer à tarde, à noite ou persistir durante boa parte do dia.
Qual remédio para enjoo grávida pode tomar?
Não existe um único medicamento que seja a melhor escolha para todas as gestantes.
Diretrizes médicas incluem diferentes opções para o tratamento das náuseas e dos vômitos da gravidez. A decisão sobre qual utilizar deve ser feita pelo profissional que acompanha a gestação.
Entre as opções que podem ser consideradas estão:
- piridoxina (vitamina B6);
- doxilamina associada à piridoxina;
- alguns medicamentos anti-histamínicos;
- metoclopramida;
- ondansetrona, em determinadas situações;
- outros antieméticos escolhidos conforme o quadro clínico.
O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde cita piridoxina, metoclopramida, ondansetrona e determinados anti-histamínicos entre as possibilidades terapêuticas utilizadas para náuseas e vômitos na gestação.
A presença de um medicamento nessa lista não significa que ele esteja indicado para você. Mesmo medicamentos considerados compatíveis com a gravidez precisam ser avaliados de acordo com cada caso.
1. Vitamina B6 (piridoxina)
A piridoxina, conhecida como vitamina B6, é uma das opções utilizadas no tratamento das náuseas durante a gestação.
O Ministério da Saúde inclui a piridoxina entre as medidas que podem ser úteis nos casos de náuseas e vômitos gestacionais.
Isso não significa que seja recomendável comprar suplementos de vitamina B6 e utilizá-los livremente. Suplementos também possuem doses diferentes e podem fazer parte de outros produtos já utilizados pela gestante, inclusive vitaminas pré-natais.
Por isso, a quantidade adequada deve ser discutida durante o acompanhamento pré-natal.
2. Doxilamina + vitamina B6
A associação entre doxilamina e piridoxina (vitamina B6) é uma das combinações mais estudadas para náuseas e vômitos durante a gravidez.
Segundo a MotherToBaby, estudos envolvendo centenas de milhares de gestantes não demonstraram aumento do risco de malformações congênitas com essa combinação.
A organização também informa que a combinação é recomendada como tratamento de primeira linha por entidades médicas como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG).
A disponibilidade e as apresentações comerciais dos medicamentos variam entre os países, portanto a orientação deve ser individualizada.
3. Metoclopramida
A metoclopramida é outro medicamento utilizado no controle de náuseas e vômitos, inclusive durante a gestação quando existe indicação médica.
Ela aparece entre as opções farmacológicas descritas pelo Ministério da Saúde e também em diretrizes internacionais para náuseas e vômitos da gravidez.
Entretanto, pode provocar efeitos adversos, como sonolência e alterações dos movimentos em algumas pessoas. Por isso, seu uso precisa ser orientado por um profissional.
A MotherToBaby mantém uma revisão específica das evidências sobre metoclopramida durante a gravidez para quem deseja entender melhor os dados disponíveis.
4. Anti-histamínicos
Alguns medicamentos da classe dos anti-histamínicos também são utilizados para tratar náuseas e vômitos na gravidez.
O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde cita, entre as opções, medicamentos como dimenidrinato, meclizina e prometazina.
Sonolência, tontura, boca seca e prisão de ventre estão entre os possíveis efeitos adversos descritos para medicamentos dessa classe.
É justamente por existirem diferenças entre as substâncias que não é correto considerar qualquer “remédio para enjoo” disponível na farmácia automaticamente seguro durante a gravidez.
5. Ondansetrona
A ondansetrona é bastante conhecida pelo efeito contra náuseas e vômitos e também pode ser utilizada durante a gestação em determinadas situações.
Aqui, porém, existe uma discussão importante.
O Ministério da Saúde informa que alguns estudos observaram possível aumento de determinados defeitos congênitos com o uso precoce da ondansetrona, enquanto outros não encontraram essa associação. Por esse motivo, especialmente no início da gestação, a decisão deve considerar individualmente riscos e benefícios.
Dados mais recentes compilados pela MotherToBaby sobre ondansetrona na gravidez apontam que estudos envolvendo mais de 250 mil gestações expostas, em conjunto, não demonstraram aumento global de malformações congênitas.
A ondansetrona também pode apresentar efeitos adversos e, em doses elevadas, interferir no ritmo cardíaco de algumas pessoas.
Portanto, não é um medicamento para começar a usar por conta própria porque outra gestante tomou e se sentiu melhor.
Então existe um remédio “mais seguro” para enjoo na gravidez?
É mais adequado falar em tratamentos com dados de segurança favoráveis e indicações específicas do que escolher um único medicamento como “o mais seguro”.
A combinação entre doxilamina e vitamina B6 possui amplo histórico de uso e é considerada uma opção inicial em importantes diretrizes internacionais.
Outros medicamentos podem ser escolhidos quando os sintomas não melhoram ou conforme as características do quadro.
O Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG), por exemplo, descreve diferentes medicamentos antieméticos que podem ser utilizados durante a gravidez e ressalta que algumas mulheres podem precisar de mais de uma abordagem para controlar os sintomas.
O que ajuda no enjoo da gravidez sem remédio?
Nos quadros leves, mudanças simples na alimentação e na rotina podem ajudar.
Algumas estratégias incluem:
- fazer refeições menores ao longo do dia;
- evitar permanecer muitas horas sem comer;
- identificar e evitar alimentos ou cheiros que desencadeiam náusea;
- preferir alimentos mais simples quando comidas muito gordurosas pioram os sintomas;
- ingerir líquidos em pequenas quantidades ao longo do dia quando grandes volumes pioram a náusea;
- descansar adequadamente.
O gengibre também aparece em algumas recomendações para náuseas leves da gravidez, inclusive no manual do Ministério da Saúde. Entretanto, produtos naturais e suplementos também devem ser discutidos com o profissional que acompanha a gestação, principalmente quando utilizados de forma concentrada.
Enjoo forte na gravidez pode ser hiperêmese gravídica
Existe uma diferença importante entre o enjoo comum da gravidez e quadros intensos de náuseas e vômitos.
A hiperêmese gravídica é uma forma grave do problema, capaz de interferir na alimentação, hidratação e rotina da gestante.
O RCOG estima que a hiperêmese gravídica afete uma parcela menor das gestantes e destaca que o quadro pode comprometer significativamente a capacidade de comer e beber normalmente.
Nesses casos, o tratamento pode exigir medicamentos, reposição de líquidos e eletrólitos e, dependendo da gravidade, atendimento hospitalar.
Quando o enjoo na gravidez precisa de atendimento médico?
Procure avaliação médica quando as náuseas ou vômitos forem intensos, persistentes ou estiverem impedindo uma hidratação e alimentação adequadas.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
- não conseguir manter líquidos;
- urinar muito pouco ou perceber urina muito escura;
- tontura intensa, fraqueza ou desmaio;
- perda de peso;
- vômitos muito frequentes;
- sangue no vômito;
- dor abdominal importante;
- febre;
- náuseas ou vômitos intensos acompanhados de outros sintomas preocupantes.
Também é importante procurar orientação quando os sintomas começam de maneira diferente do padrão esperado para náuseas da gravidez, pois vômitos podem ter outras causas.
Posso tomar o mesmo remédio que usei antes de engravidar?
Não necessariamente.
Um medicamento que você já utilizava para náuseas antes da gestação pode precisar ser substituído, ajustado ou reavaliado depois da confirmação da gravidez.
Da mesma forma, não é recomendável utilizar medicamentos indicados por familiares, amigas ou outras gestantes.
Semanas de gestação, doenças preexistentes, outros medicamentos e características individuais podem mudar a decisão terapêutica.
Se você já tomou algum medicamento antes de descobrir a gravidez, não interrompa tratamentos contínuos nem conclua automaticamente que houve algum dano. Informe ao profissional do pré-natal qual medicamento utilizou, a quantidade e em que período da gestação ocorreu a exposição.
Enjoo na gravidez: tratar também pode ser importante
O receio de medicamentos durante a gravidez é compreensível, mas isso não significa que sintomas importantes devam simplesmente ser suportados sem tratamento.
Náuseas e vômitos intensos podem prejudicar alimentação, hidratação e qualidade de vida.
Por isso, a decisão médica envolve avaliar tanto os possíveis riscos de um medicamento quanto os riscos e impactos de deixar um quadro importante sem tratamento.
Existem opções terapêuticas estudadas para uso durante a gestação. O mais importante é escolher a abordagem adequada com acompanhamento profissional.
Conte com informação confiável durante a gravidez
Durante a gestação, é comum surgirem dúvidas sobre sintomas, medicamentos, exames e cuidados necessários em cada fase.
A Ezmedi reúne conteúdos de saúde baseados em fontes médicas e científicas para ajudar você a entender melhor essas questões e conversar de forma mais informada com os profissionais responsáveis pelo seu acompanhamento.
Quando houver indicação de exames durante o pré-natal ou para investigação de sintomas, você também pode consultar os exames disponíveis pela Ezmedi.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica.
Perguntas frequentes sobre remédios para enjoo na gravidez
Qual remédio para enjoo uma grávida pode tomar?
Vitamina B6 (piridoxina), doxilamina associada à piridoxina, alguns anti-histamínicos, metoclopramida e ondansetrona estão entre os medicamentos utilizados para náuseas e vômitos durante a gravidez em situações específicas. A escolha deve ser feita pelo profissional responsável pelo pré-natal, e a gestante não deve se automedicar.
Grávida pode tomar metoclopramida?
A metoclopramida é utilizada no tratamento de náuseas e vômitos durante a gravidez e aparece em diretrizes médicas. Entretanto, possui possíveis efeitos adversos e deve ser usada somente conforme orientação profissional.
Grávida pode tomar ondansetrona?
A ondansetrona pode ser prescrita durante a gestação em determinadas situações. Existem dados extensos sobre seu uso, mas também questões específicas relacionadas principalmente à avaliação de riscos e benefícios no início da gravidez. A decisão deve ser individualizada pelo médico.
Vitamina B6 ajuda a diminuir o enjoo da gravidez?
A piridoxina (vitamina B6) é utilizada como uma das opções para náuseas e vômitos gestacionais e aparece em recomendações médicas. Mesmo sendo uma vitamina, a suplementação e a quantidade utilizada devem ser orientadas pelo profissional que acompanha a gestação.
Quando o enjoo na gravidez deixa de ser normal?
Náuseas são muito comuns, principalmente no primeiro trimestre. Porém, vômitos intensos, incapacidade de manter líquidos ou alimentos, pouca urina, perda de peso, tontura importante ou sinais de desidratação precisam de avaliação médica, pois podem indicar um quadro mais grave, como hiperêmese gravídica.